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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

D N A




Teus glóbulos mais que vermelhos
brincam num tubo de ensaio.
Ensaio em dizer algo.
Mas pra quê?
Agora teu beijo, cabelo, saliva e unha
carregam nossos laços num código.

Meu amor se mostra e evolui…

(Berg Nascimento)

domingo, 26 de setembro de 2010

Primeiro Poeta Gênesis




Se não existisse
o bicho homem,
ainda assim
poemas surgiriam.

Mesmo que habitado
somente por animais,
ainda assim
versos brotariam.

Mas pra quem existiriam?
Quem iria contemplá-los?

Quando a abelha
pousa sobre a flor,
faz sua contemplação
que de fotossíntese
se fez vermelha,
repouso da velha aranha.

A margem do rio
observa o desfile
sereno das águas
e se desmancha em adoração
querendo sua essência.

A cada ato uma reverência
onde o tempo são páginas
e a ausência de Camões
se faz sob a mão de Deus.

(Berg Nascimento)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Contagem Regressiva de um Big Bag Interno




Desse poema frio
Mas de placas incandescestes,
Queimaduras do mais alto grau
Irão te esfoliar delicadamente.

Dessa poesia falsa
Mas de enigmas verdadeiros
Há de rasgar os tímpanos
Dos com ouvido vacilante.

Desse poema opaco
Mas de potente reflexo da alma
Há de assombrar teus fantasmas
Adormecidos em tua calma.

E o verso surgirá como bolhas
No lago tranquilo de outrora
E de lago se fará usina
Que mão nenhuma controla.

(Berg Nascimento)